ESCULTURA DE ELISA BRACHER É RETIRADA DO LARGO DO AROUCHE Artista se diz satisfeita com a polêmica provocada pela obra, que chamou a atenção para problemas do bairro e da arte pública em São Paulo.
ESCULTURA DE ELISA BRACHER É RETIRADA DO LARGO DO AROUCHE Artista se diz satisfeita com a polêmica provocada pela obra, que chamou a atenção para problemas do bairro e da arte pública em São Paulo.

Dizer que artistas brasileiros estão cada vez mais valorizados nos circuitos internacionais não reflete a realidade
Têm-se falado muito em internacionalização da arte brasileira, em “Brazil for export”, em “conquista” do mercado internacional pelos artistas brasileiros1. Amigos perguntam-me a respeito da procedência de rumores sobre a “evasão” do que há de melhor na arte brasileira, que estaria indo parar em coleções no exterior.
Muitos galeristas que tenho encontrado, em feiras e outros eventos internacionais, insistem sobre a crescente presença dos artistas que eles representam no exterior. Algumas galerias já nascem priorizando a participação em eventos internacionais: Maria Baró, sócia da Galeria Baró Cruz, declarou que a prioridade da nova galeria é o circuito internacional (“Folha de S. Paulo”, 24/05/04).
Cabe observar, entretanto, que a entrada no circuitos das feiras exige um forte investimento. Somente o aluguel de um estande no Armory Show de Nova York, em 2004, custava de entre US$ 7.950 a 42.000. Facilmente esses valores duplicam, considerando-se o custo de transporte e o seguro das obras.
Por Ana Letícia Fialho Continua...
imagem: Fonte das Virtudes

O sociólogo e ensaísta Carlos Alberto Dória e autor de Os Federais da Cultura, em seu artigo - É chato dizer, mas a Lei Rouanet fracassou -, afirma: “Ora, num país onde as leis costumam “pegar” ou “não pegar”, a Lei Rouanet inaugura uma nova modalidade: a das leis que “pegam” e fracassam. Ela não fracassou por falta de adesão, mas por excesso de adesão interesseira, contemplando apenas a perspectiva dos ganhos econômico-financeiros que promete”. Um bom exemplo disso é fato - quase a metade do investimento inicial de R$ 11 milhões da produção inglesa, o Fantasma da Ópera”, que veio ao Brasil (versão em português), possibilitado através da Lei Rouanet, trocando em miúdos: verba pública beneficiando interesses de empresas estrangeiras.
O conceituado maestro John Neschling quando da dificuldade em conseguir investidores para ópera O Anel, de Wagner, declarou: “A Lei Rouanet é ridícula, uma perversidade. Essa lei existe para que Itaú, Bradesco e Banco do Brasil possam investir neles mesmos, fazer seus centros culturais e pagar seus ascensoristas”. Mas, tanto os generosos benefícios fiscais como os débeis investimentos no apoio a pequenos projetos, torna seus usuários fregueses, presos a um esquema que de cara, descaracteriza o conceito do que chamamos de incentivo.
Como justificar que Lei (federal) patrocina centros culturais de bancos, estatais, prefeituras, estados e o próprio governo federal.
As migalhas, então, são disputadas a “ferro e fogo” entre pequenos projetos,
Como entender a permanência de uma Lei, sob a tutela do Ministério da Cultura, tão insensata e danosa. É necessário compreender também seus méritos. Os incentivos fiscais para o setor cultural injetam no país milhões ao ano, somadas as legislações federais, estaduais e municipais, descontada a parte que escorre pelo ralo, das deduções e intermediações, chega o dinheiro na ponta do mercado. Criticá-la, sim, como fiz de forma ferrenha no programa cultural que o PT que apresentou para o governo de Lula, mas derrubá-la não, pois implicaria confrontar a cultura com outras áreas de interesse já que do mesmo couro saem todas as correias.
Peça de bronze de estádio em Salvador teve os braços e a taça Jules Rimet roubados. Estátua foi inaugurada em março de 1971 e não tinha proteção. Uma estátua do mais famoso jogador de futebol brasileiro, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, foi depredada no fim de semana passado, em Salvador (BA). A peça de bronze que ficava ao lado do estádio da Fonte Nova teve os braços e uma cópia da taça Jules Rimet roubados. A estátua, inaugurada em março de 1971, não tinha nenhuma proteção. Por causa do vandalismo, a Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb) vai recuperá-la e mudá-la de lugar. Continua...
Por Sergio Sister, Dora Longo Bahia, Danilo Miranda, Arnaldo Antunes, Tadeu Chiarelli...
A seção "Em obras", de Trópico, lançou neste mês a enquete "O que é arte pública?" em virtude da ressonância do tema da 25ª Bienal ("Iconografias metropolitanas") e da recepção do evento Arte/Cidade. A questão não é nova, mas tem mobilizado artistas e curadores na busca de uma participação mais efetiva nos problemas sociais.
Pelas respostas recebidas, percebe-se que há uma confusão entre as definições de monumento público e intervenções urbanas, modelos de exibição da arte e papel do arquiteto, dilema entre espaços institucionais e "novos espaços", democratização do acesso à cultura e reconhecimento da presenca de agentes mercadológicos.
A reivindicação, contudo, é clara: trata-se de uma vontade de deselitizar a produção artística, abrindo-a para a participação coletiva, em resposta aos intoleráveis processos de exclusão em curso na sociedade contemporânea. Cresce o tom de defesa da interdisciplinaridade entre as esferas estéticas e sociopolíticas, debate que envolve artistas e não-artistas. A presente enquete coloca-se de fato "em obras": não pretende exaurir o assunto, mas, ao contrário, funcionar como fórum para a recepção de outras idéias.